Exercício: Colocação pronominal

6. (TTN) Assinale a frase em que a colocação do pronome pessoal oblíquo não obedece às normas do português padrão:
Essas vitórias pouco importam; alcançaram-nas os que tinham mais dinheiro.
Entregaram-me a encomenda ontem, resta agora a vocês oferecerem-na ao chefe.
Ele me evitava constantemente!... Ter-lhe-iam falado a meu respeito?
Estamos nos sentido desolados: temos prevenido-o várias vezes e ele não nos escuta.
O Presidente cumprimentou o Vice dizendo: - Fostes incumbido de difícil missão, mas cumpriste-la com denodo e eficiência.


Não entendi essa pergunta número 6 porque a resposta é letra D. Na letra C o verbo "ter" é transitivo direto porque existe o "lhe" então? Na letra D, o certo poderia ser "...mas a cumpriste com denodo e eficiência" já que a conjunção "mas" atrai o pronome "a"?

1 resposta
Olá,

Vamos trabalhar a questão a seguir, respondendo sobre colocação pronominal e regência.
Espero que minha resposta seja bem direta e sem complicações.

Apresentarei uma análise detalhada para ajudar os futuros usuários do fórum Português Pop a revisarem seus estudos.
Agradeço a compreensão desde já. :)
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Questão proposta:

(TTN / AFTN/AFRFB - 2010) Assinale a frase em que a colocação do pronome pessoal oblíquo não obedece às normas do português padrão:

A) Essas vitórias pouco importam; alcançaram-nas os que tinham mais dinheiro.
>> O verbo termina com som nasal (alcançaram). Quando isso ocorre, os pronomes "o, a, os, as" ganham um "N" e viram "no, na, nos, nas" (ficando alcançaram-nas, referindo-se a essas vitórias). Não há palavra atrativa no início para dizer "as alcançaram".
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B) Entregaram-me a encomenda ontem, resta agora a vocês oferecerem-na ao chefe.
>> Na oração "resta agora a vocês oferecerem-na", o pronome "a" vira "na" porque o verbo "oferecerem" termina em -M. Como não há palavra que puxe o pronome para perto (antes do verbo), a ênclise é a norma padrão obrigatória.
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C) Ele me evitava constantemente!... Ter-lhe-iam falado a meu respeito?
>> Na alternativa C (Ter-lhe-iam falado...), o verbo "falar" é transitivo indireto (quem fala, fala a alguém). Por isso, ele exige o pronome lhe, que funciona como objeto indireto. A regra da colocação pronominal exige que o pronome fique antes do verbo (próclise) quando há uma palavra atrativa. Neste caso, o verbo está no futuro do pretérito (ter-iam), e o pronome fica no meio dele, o que chamamos de mesóclise.
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D) Estamos nos sentido desolados: temos prevenido-o várias vezes e ele não nos escuta.
>> De acordo com o enunciado do exercício precisamos encontrar a frase que não obedece à norma culta da língua portuguesa. A alternativa correta é mesmo a letra D. O erro está no uso da ênclise (pronome depois do verbo) em uma locução verbal. Na língua culta, quando temos um verbo auxiliar (temos) seguido de um verbo no particípio (prevenido), o pronome oblíquo nunca deve ficar preso ao particípio. O correto seria: "temos o prevenido".
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E) O Presidente cumprimentou o Vice dizendo: - Fostes incumbido de difícil missão, mas cumpriste-la com denodo e eficiência.
>> O "mas" é uma conjunção adversativa e funciona como palavra atrativa, obrigando o pronome a vir antes do verbo (próclise). Porém, existe um detalhe nesta alternativa: a oração que vem logo em seguida começa com um verbo no pretérito perfeito do indicativo (cumpriste, na 2ª pessoa do singular, "tu"). A norma padrão da língua portuguesa proíbe o início de orações com pronomes oblíquos átonos quando não há outra palavra atrativa antes. Ou seja, você não pode escrever "...mas a cumpriste".
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REFERÊNCIAS:

(1) BECHARA, Evanildo. Capítulo: Colocação dos pronomes átonos, seção: locuções verbais em: Moderna gramática portuguesa. Pág. 318 - 325. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

(2) CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Pág. 312-318. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2015.

(3) CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. Pág. 187 - 192. 48ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008.