Ditongos e Tritongos com a letra L

Estou com dúvidas em ditongos e tritongos com vogais seguidas da letra l.
Encontrei em sites a seguinte explicação. Em muitos dialetos brasileiros, devido à Vocalização do fonema /l/ em fim de sílaba, também são considerados ditongos decrescentes os seguintes casos. Ex.:
Funil /fu.ˈniw/
Feltro /few.tɾu/
Mel /ˈmɛw/
Mal /ˈmaw/
Sol /ˈsɔw/
Soldado /sow.ˈda.du/
Azul /aˈzuw/
Também verifiquei em alguns exercícios considerando igualdade como tritongo. Segundo o raciocínio acima seria i.guaw.da.de. Sendo assim, a palavra igual também teria tritongo.

Essas análises procedem? São usuais? Em concursos públicos, o que devemos considerar?

Desde já grato,

1 resposta
Olá,

Sim, as suas análises sobre a vocalização do /l/ estão corretas foneticamente, mas exigem cuidado no contexto da gramática normativa. A seguir, peço que veja como esse fenômeno funciona, se é aceito e o que você deve levar para as provas.

Separamos a resposta por tópicos.
Esperamos poder ajudá-lo.

Bons estudos! :)
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1. A análise procede e é usual?

Sim, pois trata-se de um fenômeno real da língua portuguesa. No português brasileiro (PB), a letra "l" em final de sílaba perde sua característica de consoante lateral e passa a ter o som da semivogal /w/ (fenômeno chamado de vocalização). Portanto, a transcrição fonética que você viu está certíssima. Foneticamente, palavras como funil, mal e sol terminam com o mesmo som da vogal /u/ falada em mau.
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2. As palavras "igualdade" e "igual" têm tritongo?

É aqui onde ocorre a confusão.

Tritongo é o encontro de três sons vocálicos na mesma sílaba, na sequência semivogal + vogal + semivogal (ex: Uruguai, saguão).

Em i-gual: O "i" é semivogal, o "a" é vogal, e o "l" tem som de semivogal /w/. Logo, trata-se de um ditongo decrescente oral (termina em som de u).

Em i-gual-da-de: A separação silábica é feita assim. Nesta palavra, a letra "l" não muda de sílaba e existe um ditongo (e não tritongo). O "l", quando tem som de "u" no final de uma sílaba, não se separa da vogal que o acompanha. Os detalhes da estrutura da palavra são: "gual"; trata-se de um ditongo (a junção da semivogal "i", a vogal "a" e a semivogal "u" grafada como "l"); Quanto à letra "l", como está no final da sílaba, possui fonema (som) de "u", mas permanece obrigatoriamente na mesma sílaba que forma o ditongo. Portanto, também não existe tritongo em igualdade, pois nessa classificação gramatical ocorre o encontro de três sons vocálicos na mesma sílaba (ex.: u-r-u-g-u-a-i), o que não é o caso aqui.
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3. O que devemos considerar em concursos públicos?

Na hora de prestar concursos públicos, você deve seguir a Gramática Normativa tradicional, e não a fonética descritiva. Para a norma-padrão brasileira, as análises mudam:

A) Encontros vocálicos na Ortografia: para a gramática de concursos, a letra "l" ainda é tratada como uma consoante, e não como uma semivogal.

B) Divisão silábica oficial: O "l" em fim de sílaba é considerado um fonema consonantal (consoante) na hora de separar as sílabas. Portanto, palavras como mal, sol e funil não possuem ditongo ortográfico, mas sim uma "vogal + consoante".
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4. O que dizem as bancas avaliadoras?

As bancas avaliadoras exigem o critério ortográfico / gramatical, e não o fonético puro. Se uma questão perguntar sobre encontros vocálicos em mal, sol ou igual, a resposta esperada será aquela baseada na grafia e na separação silábica oficial, ignorando a vocalização.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(1) MATEUS, Maria Helena Mira et al. Gramática da língua portuguesa, p. 993. 2003.
(2) TEYSSIER, Paul. História da língua portuguesa, p. 67. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
(3) CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo, p. 31. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.